Unaí arcou com 72% da despesa total do Hospital Municipal em 2021; HMU atende Unaí e municípios da região

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De um total de R$ 118,8 milhões gastos com a saúde pública unaiense no ano passado (janeiro a dezembro de 2021), somente o Hospital Municipal de Unaí (HMU) sorveu R$ 55,3 milhões. Dessa despesa com o HMU, R$ 39,7 milhões saíram dos cofres unaienses.


Sempre vale lembrar que o Hospital Doutor Joaquim Brochado é municipal, mas atende Unaí e mais 11 municípios da microrregião de saúde.


Da despesa total no HMU em 2021, o município arcou com 72% dos gastos (R$ 39,7 milhões), o governo federal com 11% (R$ 6 milhões) e o governo estadual com 5% das despesas (R$ 2,5 milhões). E ainda houve entrada de 12% dos recursos "extraordinários" como verba para enfrentamento à pandemia de covid (R$ 6,8 milhões).


Como se pode ver, Unaí tem investido recursos próprios do caixa da Prefeitura para financiar principalmente o Hospital Municipal, que faz atendimento regional, mas com maior parte dos gastos bancada pelos cofres do município.


Mas os gastos públicos com o Hospital Municipal são apenas parte substancial das despesas de Unaí com a saúde. A saúde pública unaiense (todo integral) consumiu 35,64% da arrecadação geral do município em 2021.


A principal consequência disso é sobrar menos dinheiro para investimento em outras áreas (obras, infraestrutura, etc.), ou mesmo em outras atividades da mesma pasta da saúde, como exemplifica a secretária Denise de Oliveira.


"Nós temos apenas 53% de cobertura da população com equipes da estratégia de saúde da família. Já tinha de ter evoluído nisso, expandido equipes para mais locais da cidade. Mas os gastos excessivos com a saúde nos deixam no limite e nos impedem de levar mais benefícios à população", explica a secretária municipal de Saúde.


POR QUE GASTOU?


O Sistema de Informações sobre Orçamentos Públicos em Saúde (Siops), ferramenta do Ministério da Saúde que faz o gerenciamento de gastos, até criticou o município de Unaí por ter despesas da pasta que ultrapassaram os 35% da arrecadação geral do município em 2021. "Quando a despesa passa dos 35% da arrecadação total do município, nós temos problemas no Siops, que geram críticas ao município", afirma a secretária.


A justificativa é revelada nos gráficos: "Unaí atende a demanda regional [pacientes das cidades da microrregião] praticamente com [a maior parte dos] recursos do próprio município, tendo pouco investimento principalmente por parte do Estado (governo de Minas), que entra [no bolo de gastos] com apenas 5% do total da despesa", conta Denise. "O Estado deveria ter uma responsabilidade maior nesses gastos regionais".


PANDEMIA


Ao contrário do que muita gente pensou ou suspeitou durante a pandemia, a verba que veio "exclusivamente" para os gastos com a covid (12%) foi "insuficiente", tendo em vista o custeio para instalação e manutenção de leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTIs) e de leitos clínicos no Hospital Municipal, de UTI na Intense Life no Hospital Santa Mônica, a manutenção de equipes especializadas e de equipamentos para receber os pacientes de covid. E os recursos foram utilizados ainda no Pronto-Socorro do Hospital Municipal para atendimento de pessoas com síndromes gripais.


Já para o Centro de Atendimento da Covid, no Caic do Novo Horizonte, foram encaminhadas outras verbas – cerca de R$ 80 mil por mês – para manutenção do atendimento e pagamento de equipes de médicos e enfermeiros. Na última sexta-feira, 4 de março, chegou a Unaí a parcela para custear os atendimentos da Central Covid realizados em dezembro de 2021.


Mesmo com a redução na demanda, a Central Covid continua oferecendo o atendimento exclusivo aos pacientes com síndromes gripais, de segunda a sexta, das 7h às 21h, sem interrupção. Atendimento feito também aos sábados, domingos e feriados, mas em horário reduzido (só até as 17h).


Denise ressalta que a unidade unaiense funciona com horário expandido, diferentemente do que é preconizado para esses centros em todo o país, que é atendimento de oito horas por dia. E por manter um horário expandido, o gasto com médicos foi sempre crescente, especialmente no momento mais agudo da pandemia.


A política que garantia incentivos financeiros à manutenção desses centros de atendimento, porém, foi interrompida pelo governo federal a partir de janeiro último. Portanto, desde então o município vem mantendo a estrutura com recursos próprios. Mais pressão sobre os cofres municipais.


NOVE LEITOS DE UTI NO HMU


As despesas com a saúde pública unaiense em 2022 não darão refresco. Isso porque o município vai trabalhar para manter nove leitos de terapia intensiva (UTIs adultas tipo 2) no Hospital Municipal, que foram instalados para o enfrentamento da covid-19, mas com plano de continuidade de funcionamento. Segundo Denise, os leitos já estariam inclusive credenciados.


Além de manter uma equipe médica contratada, o município precisará arcar com os custos de aquisição de medicamentos e manutenção de equipamentos, tudo muito caro. E ainda há o custo do consumo de oxigênio no HMU.


Parte do recurso para manutenção vem do Ministério da Saúde, mas de acordo com a secretária, é insuficiente para manter a estrutura, que será regulada pelo SUS e atenderá toda a rede, não apenas pacientes de Unaí.


"É um ganho para Unaí e região", assinala Denise. "Com o suporte de UTI, poderemos fazer aqui operações que não tinha como fazer".


Ela cita exemplos pontuais como um idoso que quebra um braço e precisa de suporte de UTI, uma pessoa esfaqueada que era operada e ficava aguardando transferência (para outros municípios), casos de AVC (derrame cerebral ou encefálico), suporte pós-cirúrgico (complicações depois de cirurgias). "A gente tinha paciente que ficava dias aguardando UTI em outras cidades", justifica.


Com a manutenção das UTIs no Hospital Municipal, além de atender casos mais complexos, Unaí passa a depender menos de encaminhamentos de pacientes, como para Patos de Minas, 300 quilômetros de distância e referência para toda a região.


Por enquanto, parte dos leitos ainda estará reservada para o atendimento a pacientes com covid, pois a pandemia não acabou. "Apesar da redução nos números, estamos aguardando alguns reflexos, como do carnaval. A gente não sabe como vai ser. E pacientes de covid também ainda estão ocupando leitos", lembra a secretária.


Além do mais, três óbitos por covid foram registrados em Unaí somente nesses primeiros meses do ano, situação que ainda não permite baixar a guarda.


PROJEÇÕES PARA 2022


De acordo com as projeções, os gastos com a saúde tendem a se manter "altos" neste ano. A alta nos preços de material médico-hospitalar associada à retomada de serviços que ficaram suspensos durante a pandemia, como as cirurgias eletivas (sem urgência e emergência) e o retorno "total" dos atendimentos odontológicos, são alguns dos fatores que exercerão pressão sobre o aumento dos serviços e consequentemente sobre os gastos públicos em saúde.


"Por causa da pandemia, ficamos praticamente o ano inteiro sem fazer cirurgias eletivas (vesícula, hérnia, hemorroida, vasectomia, amígdala, adenoide, histerectomia, períneo e outras). Sem falar nas cirurgias ortopédicas e vasculares, que precisam voltar. Com isso, aumentou a fila e a gravidade dos casos", ressalta Denise. Vai pressionar o sistema de saúde.


Pelo menos, ela lembra, não houve tanto represamento nas cirurgias de catarata, que não necessitam de internação hospitalar, por isso muitas foram feitas em 2021 e ainda serão feitas este ano. A previsão é que 660 operações de catarata (que estão em andamento) sejam concluídas no decorrer das próximas semanas. E vão continuar.


Uma "pressão extra" também está prevista para o atendimento com dentistas, já que para voltarem totalmente as atividades (atendimento completo), é necessária a disponibilidade de uma servidora "exclusiva" para higienizar constantemente o consultório durante o atendimento odontológico e entre um paciente e outro. Os protocolos sanitários (de prevenção às infecções por coronavírus) são rígidos para o segmento da saúde bucal.


Outros setores da saúde municipal, como a Policlínica (atendimento médico especializado), nunca pararam o atendimento, mesmo nos momentos mais graves da pandemia, como lembra a secretária de Saúde. "Houve redução natural no atendimento, já que muita gente marcava consulta, mas não aparecia, talvez por receio da contaminação pelo coronavírus. Mas nunca parou".


Aos poucos, com o arrefecimento da pandemia, a vida vai voltando ao normal. E os gastos da Prefeitura com a saúde municipal devem continuar girando em torno dos 30% da arrecadação total do município, o dobro do mínimo exigido por lei.


O destaque fica por conta do Hospital Municipal, que abocanha o maior naco do recurso da saúde e atende toda a região. O hospital, que é municipal, funciona como regional. E os cofres do município ficam com a maior parte da conta.

 

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