Centro de Controle de Zoonoses alerta para o risco de transmissão da doença e reforça necessidade de vacinação antirrábica em Unaí
A confirmação de casos de raiva em animais em Brasília e Paracatu reforça o alerta para a necessidade de prevenção e vacinação de cães e gatos em Unaí. Segundo o médico veterinário Fernando Costa Rodrigues, responsável pela unidade do Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) de Unaí, a proximidade dos municípios aumenta a preocupação com a possibilidade de exposição da população e dos animais ao vírus.
Os dois casos confirmados — um cão no Distrito Federal e um morcego em Paracatu — tiveram resultado positivo para raiva. Apesar disso, Unaí não registra, até o momento, nenhum caso de raiva em animais em 2026.
De acordo com o veterinário, a vacinação é a principal medida de prevenção contra a doença, que apresenta elevada letalidade quando atinge seres humanos.
Mais de 24 mil cães e gatos em Unaí
O CCZ realizou recentemente um censo da população animal, contabilizando mais de 24 mil cães e gatos nas áreas urbana e rural.
Entretanto, no último ano, pouco mais de 7 mil animais foram vacinados contra a raiva. O número preocupa o Centro de Controle de Zoonoses e salienta a necessidade de ampliar a adesão dos tutores à vacinação.
“É muito importante que a população leve seu animal para vacinar”, reforça Fernando Costa Rodrigues, lembrando que a vacinação antirrábica é realizada anualmente. "Para animais que estão recebendo a vacina pela primeira vez ou que nunca foram imunizados, deve ser seguido o protocolo estabelecido pelo Ministério da Saúde, com a aplicação das doses subsequentes conforme orientação do serviço veterinário", explica.
Equipes do CCZ estão desenvolvendo a campanha de vacinação antirrábica na zona rural de Unaí. A campanha começou no dia 10 de agosto e segue até 9 de setembro, geralmente às segundas, terças e quartas-feiras.
Vacinação com horário ampliado na área urbana
Para facilitar o acesso da população, o CCZ também modificará o horário de vacinação de cães e gatos na área urbana. A partir de 27 de agosto, a vacinação será realizada às quintas-feiras, das 16h às 20h, em pontos definidos no cronograma oficial (divulgação em breve).
O horário estendido foi planejado para atender especialmente os tutores que trabalham durante o dia e chegam em casa após o horário comercial.
Além dos pontos de vacinação na cidade, o CCZ mantém atendimento em sua sede, onde a vacinação ocorre de segunda a sexta-feira, das 7h às 10h e das 13h às 16h.
Os moradores devem acompanhar os canais de comunicação oficiais da Prefeitura de Unaí e consultar os dias, locais e horários das ações de vacinação.
CCZ na residência
O Centro de Controle de Zoonoses disponibiliza ainda atendimento para residências que tenham oito ou mais cães e gatos. Nesses casos, os responsáveis podem entrar em contato com o CCZ para solicitar a vacinação no próprio local.
O contato pode ser feito preferencialmente no WhatsApp, pelo telefone 3676-4615.
A iniciativa busca alcançar principalmente famílias que possuem um número maior de animais e facilitar a imunização dessa parcela da população animal.
Animais que não saem de casa
Um dos principais alertas do CCZ é para os tutores que acreditam que cães e gatos que permanecem dentro de casa não correm risco de contrair raiva.
Segundo Fernando Rodrigues, o contato com morcegos é uma das situações que podem expor os animais ao vírus. O risco é especialmente relevante para gatos, que podem perseguir ou capturar morcegos.
O veterinário destaca que qualquer espécie de morcego pode transmitir a raiva, e não apenas os morcegos hematófagos, conhecidos popularmente como “morcegos-vampiros”.
Por isso, caso um cão ou gato tenha contato com um morcego, o responsável deve procurar imediatamente o Centro de Controle de Zoonoses. O animal poderá passar por avaliação e, conforme o caso, receber medidas de prevenção pós-exposição.
Não tocar em morcego
A população também deve ficar atenta ao encontrar morcegos em situações incomuns, como caídos ao chão, rastejando, aparentando estar desorientados ou expostos durante o dia.
Nessas situações, o animal não deve ser manipulado pela população. A recomendação é entrar em contato com o CCZ para que a equipe faça o recolhimento e encaminhe o animal para análise.
O mesmo cuidado deve ser adotado diante de primatas (macacos) encontrados mortos ou apresentando comportamento anormal. Esses animais também podem ser recolhidos pelo serviço para investigação de doenças.
Atenção com o cão
Cães que apresentam mudanças repentinas de comportamento ou sinais neurológicos, como salivação excessiva, dificuldade para engolir, paralisia ou outras alterações, devem ser avaliados pelo serviço especializado, principalmente quando não há histórico de vacinação.
O CCZ pode realizar uma investigação no local e, quando necessário, recolher o animal para observação e exames.
O médico veterinário explica que a eutanásia, quando necessária em casos suspeitos, é uma medida adotada como último recurso, especialmente quando o animal apresenta sofrimento grave e não consegue mais se alimentar ou ingerir água.
Raiva é letal
A raiva é uma doença viral que atinge o sistema nervoso central e apresenta letalidade extremamente elevada em seres humanos.
Por esse motivo, a prevenção é fundamental. Quando uma pessoa é mordida ou tem contato de risco com um morcego, animal silvestre, cão ou gato, a orientação é procurar imediatamente uma unidade de saúde.
O atendimento médico é responsável por avaliar cada situação e definir a necessidade de medidas como vacinação e, quando indicado, soro antirrábico, de acordo com o protocolo de atendimento.
A recomendação é especialmente importante nos casos envolvendo animais que não podem ser observados ou quando há suspeita de exposição ao vírus.
Principal prevenção
O Centro de Controle de Zoonoses reforça que a vacinação anual de cães e gatos é uma medida simples e fundamental para evitar a circulação do vírus.
A campanha de vacinação antirrábica já está em andamento na zona rural e também será intensificada na zona urbana de Unaí.
A orientação do CCZ é clara: os tutores devem ficar atentos ao cronograma e levar seus animais para receber a vacina.
"A participação da população é fundamental para manter Unaí protegida e reduzir os riscos de transmissão da raiva", alerta o médico veterinário do CCZ.
Imagem: Morcego hematófago (morcego-vampiro) da espécie Desmodus rotundus.
Fonte: Márcio Heitor Stelmo da Silva e Michael L. Z. Lise
