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Tradições festivas e religiosas

Com ares de cidade do interior, Unaí mantém vivas tradições festivas e religiosas.

Uma imagem encontrada onde hoje é o distrito do Boqueirão (a 40km do centro de Unaí) é responsável por 261 anos de tradição e romarias. Santo Antônio do Boqueirão foi encontrado sobre um toco de madeira, próximo ao leito do Rio Preto e levado para a diocese de Paracatu (MG). Alguns anos depois, moradores da região reencontraram o ícone no lugar original.

Historiadores afirmam que Clemente José Souto, proprietário daquelas terras na época, é quem teria recolocado o santo no local, tentando atrair a atenção da população. A versão da igreja é que padres missionários teriam deixado a figura como uma marcação para que pudessem retornar e celebrar a evangelização com a comunidade. Mas a fé do povo ainda remove montanhas e faz mover as imagens. Conta-se que Santo Antônio voltou caminhando e que era possível ver as marcas de seus chinelos na estrada.

Grande parte das comemorações em Unaí, como a Festa de Santo Antônio de Boqueirão e a Festa do Tamboril, têm motivação religiosa. Outros tipos de atrações como a ExpoAgro - onde acontecem grandes shows e exposições há quase 80 anos – e a Festa da Moagem e do Carro de Boi - cujo objetivo é resgatar os antigos hábitos sertanejos da cidade - são também consideradas tradicionais.

A Festa de Santo Antônio de Boqueirão também representa o resgate cultural. Mais de 70 famílias de Unaí e de regiões próximas como Buritis (MG) e Cabeceiras (GO) realizam o trajeto até o Distrito de Boqueirão utilizando carros de boi como transporte. A opção, segundo os carreiros, permite um maior envolvimento com a romaria.

Cheiro de barro e comida fresca. A preparação para a trajetória em homenagem a Santo Antônio, que ocorre de 10 a 16 de Junho, começa na cozinha das fazendas, para os que optam por ir de carro de boi. Os fazendeiros matam bois, porcos e cozinham a carne em grandes fornos de barro ao ar livre. Ao som do ranger das grandes rodas de madeira, a viagem começa. Durante todo o percurso, o bleim bleim das sinetas dos bois e o comprido mugido dos berrantes são como a trilha sonora de um filme antigo.

Um filme de muitas histórias, como a de Terezinha Tolentino Vasconcelos e Sílvio Caetano Vasconcelos, que se conheceram durante a Festa do Boqueirão. Com 72 anos de idade e mais de 50 anos de casados eles relatam que a comemoração era momento de reencontro entre eles, que moravam em fazendas distantes e, em romaria, enfrentavam longos percursos de canoa até o distrito. Ainda hoje freqüentam a cerimônia religiosa juntos.

“Temos obrigação de visitar a imagem de Santo Antônio. Precisamos manter a tradição de nossos avós, passá-la para nossos netos. Se não houvesse essa festa seria um vazio”, diz Terezinha. Nair Elisa Rodrigues, 71 anos, também é personagem dessa história. Aos 13 anos foi morar em uma fazenda próxima a Unaí. “Alguns fazendeiros vinham em procissão para o Boqueirão e pousavam em nossa casa. Eles ficavam uns seis ou oito dias. Nós oferecíamos pasto para o gado, biscoitos e pouso para os carreiros”, relembra.

Nair, devota de Santo Antônio, sempre participou da homenagem, auxiliando na organização da cerimônia religiosa. Há pouco tempo, depois de passar por uma série de cirurgias, esteve impossibilitada de visitar o Boqueirão e só pôde voltar em 2008. “Ano passado fui mesmo pra festar. Este ano vou acompanhar minha filha. Nós vamos cedo e voltamos à tardezinha”, diz ela. E sua filha, Delma, passando em frente à porta avisa, sorrindo e enfática: “Pois este ano eu vou para dormir”.

Nair Elisa relembra histórias da Festa do Boqueirão

Antiga festa com funçao de arrecadar fundos para time de futebol hoje é celebração católica

Dia 1º de maio, 21h. Na fazenda do Tamboril (a 9km de Unaí), sob um telhado de zinco, luzes coloridas e várias mesinhas organizadas. Ainda não há muitas pessoas, mas o clima é de preparação. Atrás de um balcão, algumas mulheres cozinham em grandes panelas e envolvem, em papel celofane, frangos assados, que serão vendidos para arrecadar fundos para o trabalho da Sociedade São Vicente de Paulo (SSVP).

A SSVP é uma organização internacional católica, fundada em 1833 e presente em mais de 133 países. Em 1948, a primeira Conferência de Vicentinos foi formada em Unaí, e desde então presta serviços à comunidade carente. Toda a renda obtida na Festa do Tamboril é revertida para os trabalhos sociais comandados pela organização.

Nivalda Amaral, uma das responsáveis pela manutenção do evento (que acontece de sexta a domingo, durante as duas primeiras semanas de maio) conta que ele teve início há mais de 80 anos e que a função inicial era arrecadar dinheiro para auxiliar o time de futebol de Tamboril. Os objetivos se transformaram, mas a atmosfera de solidariedade e bom-humor é a mesma.

Os voluntários, reunidos em conferências (grupos católicos) cuidam da organização de cada uma das etapas. A conferência responsável pela venda de bebidas este ano é a Conferência de Santo Agostinho. O santo ganhou do grupo o apelido de Gugu e o Bar do Gugu foi criado em sua homenagem.

A reza do terço marca o início da comemoração, que une religião e festividade. O voluntário Mário Egídio Neves conduz a oração e celebra o retorno da festa que, há dois anos, foi vetada devido à má estrutura do local onde acontecia. “As pessoas não acreditavam que poderíamos continuar. “Devemos tudo a Nivalda Amaral, que ficou de sol a sol procurando materiais para melhorar o lugar”, afirma ele. E Nivalda, timidamente complementa: “Não me vejo longe da Sociedade. “Para nós a Festa do Tamboril é, além de tudo, um momento de integração muito importante.”

Reza do terço na capela do Tamboril

As tradições também acompanham as mudanças. Os objetivos originais das celebrações se adaptam ao ritmo de vida da cidade, às mudanças sociais e comerciais. Nair Elisa considera que as festas têm crescido muito em Unaí. Destaca a do Boqueirão que, segundo ela, está muito mais organizada, no que diz respeito aos aspectos religiosos. “Por outro lado há muita bagunça. Lá vende tudo o que você pensar. Tem gente comprando roupa, vendendo rapadura, tem comadre (prostitutas), tem gente tonta”, complementa, brincando com a situação atual.

Segundo muitos dos envolvidos com as celebrações religiosas, a maneira como a população se envolve com as tradições também vem se modificando. “Os jovens não se interessam muito pelas festas tradicionais. Não é a praia deles. Eles gostam de outro auê. As coisas antigas é que eram sadias. Tudo vai mudando e nós, os mais velhos, temos que nos adaptar. Às vezes dói, mas a gente acompanha”, conclui Nair, com ar saudoso.

Agenda

Festa da Moagem e Carro de Boi

Acontece em abril, desde 1998. Os carros de boi saem em mutirão de alguma das fazendas próximas a Unaí, passando pelo centro da cidade, com destino ao Parque de Exposições Dr. Joaquim Brochado, onde ocorre a festa.

ExpoAgro

Acontece em setembro, durante a Semana da Pátria, desde 1960, no Parque de Exposições Dr. Joaquim Brochado. As atrações, além dos shows, são rodeios, leilões, parque de diversões e palestras sobre agricultura e pecuária.

Festa de Santo Antônio de Boqueirão

10 a 16 de junho, no Distrito de Boqueirão, a 40km de Unaí. O dia mais importante é o dia 13 de junho, quando se comemora o dia de Santo Antônio. A celebração envolve romarias, missas, música e comércio de artigos variados.

Festa do Tamboril

Sexta a domingo, durante as duas primeiras semanas de maio, na Fazenda do Tamboril, a 9km de Unaí. O que chama a atenção do público são os bailes de forró e outros estilos musicais, além das barraquinhas com bebidas e pratos tradicionais.

"Santos e carros de boi"
Escrito por Natália Pires
Fonte: http://www.fac.unb.br/
 

 

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