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Central de Regulação dos Serviços de Saúde completa um ano – Entrevista Juliana Luiz

A Central de Regulação dos Serviços de Saúde completou um ano na terça-feira, 11 de agosto, e está sendo considerada "conquista da sociedade" e "grande avanço para a saúde pública unaiense". Com a implantação da Central de Regulação, o município acabou com as filas de madrugada em frente às unidades de saúde (para marcação de consultas e exames) e reduziu a demanda reprimida por cirurgias eletivas (sem urgência) e por outros serviços reclamados pela população.

Quando inaugurou a unidade, em 11 de agosto de 2014, o prefeito Delvito Alves enfatizou que a principal característica da Central de Regulação seria tirar das mãos dos agentes políticos a influência na marcação de consultas, exames e cirurgias.

À época da instalação da unidade, o prefeito afirmou o seguinte: "Queremos acabar com os privilégios no atendimento à saúde. Ninguém mais terá vantagens para conseguir consultas, exames, cirurgias ou internações, simplesmente por ser amigo do prefeito, do vice-prefeito, ou porque é indicado pelo vereador, pelo secretário municipal ou por servidor público. A saúde de Unaí não será mais moeda de troca eleitoral".

Para garantir que isso fosse seguido (a eliminação do favorecimento político na saúde), o prefeito nomeou somente servidores ocupantes de cargos efetivos (concursados) para coordenar a Central de Regulação. "O critério para os encaminhamentos serão exclusivamente técnicos. O cidadão em busca de procedimentos na área de saúde terá de passar pela equipe ou pelos médicos reguladores para o encaminhamento", assegurou Delvito, à época.

Para verificar se as promessas do prefeito foram cumpridas, e se a Central de Regulação está conseguindo fazer avançar os serviços, confira entrevista (a seguir) com a coordenadora geral da unidade, Juliana Luiz, servidora efetiva do município há mais de 10 anos.

Ricardo Ribas – A Central de Regulação dos Serviços de Saúde, ou simplesmente Central de Regulação, completou um ano no dia 11 de agosto. Como você avalia esse período?

Juliana Luiz – Já conseguimos encaminhar diversas situações de demanda reprimida que se arrastavam havia anos. Tudo o que estava parado foi avaliado pela equipe de regulação. Foi feita uma triagem do que era mais urgente e do que não era (urgente) e podia esperar. Os serviços mais urgentes foram revistos pela equipe reguladora e foram atendidos. O que tinha mais de seis meses na fila de espera foi reavaliado. Muitas consultas tiveram de passar pela avaliação médica, para verificar a necessidade de pedidos de novos exames, enfim.

Ricardo – Então não há mais demanda reprimida na saúde pública unaiense?

Juliana – Já conseguimos algum controle, por exemplo, sobre a demanda da população por cirurgias eletivas (sem urgência). Podemos dizer que não há mais demanda por cirurgia vascular, por cirurgias de hérnia e de vesícula. Porém, há demandas por cirurgias na área de otorrino (otorrinolaringologia), que são mais difíceis de conseguir, porque depende da contratação do médico especializado, e não está fácil arranjar.

Ricardo – Como é prestado o serviço pela Central de Regulação?

Juliana – Hoje, o agendamento de consultas, exames e cirurgias é feito somente na Central de Regulação. Só o próprio paciente ou seus parentes de primeiro grau podem fazer o agendamento. A própria pessoa pode procurar a Central, sem a necessidade de interferência, para marcar o procedimento médico. O que será oferecido é o mesmo para todos. Na zona rural, o paciente deve procurar o agente do PACS (Programa de Agentes Comunitários de Saúde), que trará as demandas da região aqui para a Central. E o cidadão só virá à cidade no dia do procedimento médico.

Ricardo – Você se referiu a um tipo de interferência externa para marcação de procedimentos na saúde. Que isso significa?

Juliana – Eu digo isso, porque antes de implantada a Central de Regulação, havia muita interferência política na marcação de consultas, exames e cirurgias. Hoje, isso foi eliminado. Podemos garantir que não há mais interferência política nesses agendamentos.

Ricardo – Você me dizia que a equipe da Regulação considera isso como um forte avanço e grande conquista para os cidadãos. Pode explicar melhor?

Juliana – Porque hoje ninguém passa na frente de ninguém na fila de espera, como resultado de interferência política. Todos os atendimentos são feitos dentro do seu tempo, sem interferência de quem quer que seja. Temos garantido que a lista de espera será seguida conforme a posição de chegada de cada um. Hoje, tudo é centralizado aqui. Antes, as pessoas acordavam de madrugada e iam para filas de marcação de consultas e exames. Hoje, isso não é mais necessário, porque estamos aqui das 7h30 às 9h30 distribuindo senhas para a marcação no mesmo dia, e o cidadão pode ter a certeza de que será atendido. Vai chegar a vez da pessoa, e ela vai fazer sua consulta, seu exame, sua cirurgia.

Ricardo – Qual a garantia de que não há mais interferência política na Central de Regulação?

Juliana – Todas as marcações são feitas pelo Sistema Sonner (informática), e o procedimento apresenta a matrícula do servidor. O controle sobre isso é efetivo. Nós, coordenadores da Central, somos servidores efetivos (concursados) do município. A Central de Regulação dos Serviços de Saúde foi criada pela Lei 2.912, de 28 de abril de 2014, que criou também a Coordenação Geral (Juliana Luiz) e as Coordenações de Regulação de Consultas e Exames (Eliane Pereira Baia Marques); de Internações Hospitalares (Edilaine José de Carvalho); e de Urgências (Wellington de Melo Franco). E ainda duas médicas reguladoras: uma na Central de Regulação (doutora Diva Moreira Rodrigues) e outra no Hospital Municipal (doutora Renata Patrícia de Oliveira). Portanto, o controle é rigoroso.

Ricardo – Vocês já conseguiram algum feedback dos usuários/pacientes sobre esse novo modelo de prestação de serviço?

Juliana – Para a maioria da população, a implantação da Central foi uma grande conquista. Porém foi muito ruim para as pessoas que se beneficiavam da interferência política para passarem na frente. Agora, para o cidadão que não conhecia nenhum político ou servidor público que pudesse "dar uma forcinha", ele reconhece como benefício e avanço. Hoje atendemos dentro do esquema de fila única, e isso incomoda os antigos beneficiários do esquema político. Na minha opinião, houve grande coragem do prefeito em mexer nesse sistema. O posicionamento político dele foi importante para a saúde pública municipal chegar a esse patamar de avanço.

Ricardo – Você disse que houve avanços e conquistas na acessibilidade das pessoas, na igualdade na prestação dos serviços e na transparência pública. Porém, nem tudo são flores. O que mais atravanca o serviço da Central atualmente?

Juliana – A necessidade de algumas especialidades médicas, que estão escassas: pediatras, neurologistas e obstetras, por exemplo. E isso dificulta muitas ações. E ainda existem os procedimentos médicos especializados que precisam ser feitos em Belo Horizonte, Uberlândia, Uberaba, Patos de Minas: são os tratamentos fora do domicílio (TFD). Quando os pacientes precisam de especialidades como neuropediatria, infectologia ou pneumologia, por exemplo, são encaminhados para esses centros mais desenvolvidos.

Ricardo – E com relação ao atendimento de pacientes de outros municípios, já que Unaí é sede de microrregião?

Juliana – Pois é. Além de atender Unaí, temos de atender outros 11 municípios da Regional de Saúde. Mas o nosso contato direto é com as Secretarias de Saúde desses municípios, não mais com pacientes. As Secretarias Municipais marcam os procedimentos na Central e os pacientes já vêm com os serviços marcados, mas dentro dos limites da pactuação. Antes essa demanda era aberta, hoje conseguimos controlar isso. Antes, pacientes de outras cidades vinham aqui e disputavam espaço com unaienses. Hoje, porém, atendemos esses outros munícipes somente dentro da pactuação estabelecida. Nossa prioridade é garantir o atendimento aos unaienses.

Ricardo – O atendimento em consultas e exames, cuja demora foi reclamação durante anos, está mais rápido?

Juliana – A Central de Regulação oferece o serviço com a intenção de ser o mais rápido possível. Mas há situações, por exemplo, em que o paciente quer escolher o médico com o qual deseja consultar. E aí vai haver mais demora no atendimento. Há casos em que a Central pode marcar a consulta para o dia seguinte, mas o paciente prefere esperar mais de um mês para consultar com o médico de sua confiança. Isso é uma questão cultural bastante enraizada e provoca atrasos e demora em alguns procedimentos.

Ricardo – Algumas pessoas disseram que a Central é apenas cabide de empregos ou foi criada para gerar custos. Como vocês interpretam isso?

Juliana – Não concordamos. A Central foi criada para solucionar graves problemas verificados no setor de saúde pública municipal. O que mais incomoda hoje é que algumas pessoas não conseguem mais furar a fila de marcação de consultas, exames e cirurgias. E isso incomoda muitas pessoas.

Ricardo – Com a implantação da Central de Regulação, houve avanços e conquistas sociais, como você afirma. A pouco mais de um ano da próxima eleição municipal, você acredita que outro prefeito eventualmente possa mudar esse sistema, que está dando certo?

Juliana – Creio que a Central de Regulação dos Serviços de Saúde vá se tornar uma efetiva política de saúde do município, independentemente de quem assuma o poder. Se está dando certo, pensamos que a Central deva seguir adiante, avançando e promovendo novas conquistas. Jamais retroceder a um momento já superado. Com a Central, já estamos melhorando a adoção de valores como acessibilidade, compromisso, credibilidade, equidade, humanização, igualdade, justiça, qualidade, respeito, solidariedade e transparência. A coragem para mudar em busca de mais eficiência foi fundamental para mantermos esses avanços e conquistas, com a implantação da Central. Cabe à sociedade pressionar para que tudo isso continue e avance ainda mais.

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Juliana Luiz, servidora efetiva do município há mais de 10 anos, é coordenadora geral do
Centro de Regulação dos Serviços de Saúde



CENTRAL DE REGULAÇÃO DOS SERVIÇOS DE SAÚDE

Horários

Segunda a quinta-feira

  • Consultas
  • Exames

Distribuição de senhas de
7h30 às 9h30

Segunda a sexta-feira

  • TFD
    (Tratamento fora de domicílio)
  • 7h30 às 17h

Segunda a sexta

  • Serviço Social
  • 7h30 às 17h

Segunda a sexta

  • Cartão do Sus
  • 7h30 às 17h
  • O Horário de atendimento da Central de Regulação dos Serviços de Saúde, em geral, é das 7h30 às 17h, mas há horário específico para cada setor, como verificado acima.

Av. Governador Valadares, 1.386
Fone: 3677-5057 / 5058
Centralregulacao.unai@gmail.com

 

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Notícias publicadas no período: 29/03/2005 até 17h24 do dia 13/12/2012