Dezembro Vermelho: saúde pública oferece (o ano todo) testes de detecção e tratamento de HIV e outras doenças sexualmente-transmissíveis

O Vírus da Imunodeficiência Humana, ou simplesmente HIV, é transmitido principalmente pelo contato com sangue (agulhas sujas ou transfusão de sangue contaminado), por sexo vaginal, anal ou oral sem proteção, e da mãe para o bebê (durante a gravidez, parto ou amamentação).

 

Se o HIV não for diagnosticado e tratado a tempo, o portador do vírus poderá desenvolver a Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (Aids), o que pode levá-lo à morte.

 

O Dezembro Vermelho é uma campanha nacional para informar e sensibilizar a população para a necessidade de fazer os testes de detecção de HIV e outras doenças sexualmente-transmissíveis e orientar sobre o tratamento na rede pública de saúde. Nesta terça-feira, 1º de dezembro, o mundo celebra o Dia Internacional de Combate a Aids.

 

Em Unaí, o Serviço de Atendimento Médico Especializado (Same) é a unidade pública de referência para o tratamento de pacientes portadores de HIV ou outras doenças sexualmente-transmissíveis. O Same possui equipe multidisciplinar para aplicar testes rápidos, acolher o paciente positivado e ofertar todo o tratamento, que é público e gratuito.

 

O tratamento de portadores de HIV, por exemplo, ajuda a controlar a carga viral no organismo do paciente, por meio de medicação. Mas ainda não há uma vacina ou cura para a doença. O tratamento pode ser por anos a fio ou até mesmo pela vida inteira.


"Para controlar o HIV, os pacientes tomam um medicamento extremamente efetivo, e a resposta é muito boa, com poucos efeitos colaterais", observa o médico infectologista Luís Gustavo Santos, que atende no Same.

 

Os especialistas atribuem a essa dobradinha – eficácia do remédio e o pouco efeito colateral no organismo – o relaxamento observado nas medidas de prevenção ao HIV, notadamente entre os mais jovens. Em Unaí, os números de casos positivos de HIV e DSTs atingem principalmente a faixa etária dos 18 aos 39 anos.

 

"O medicamento não deve ser motivo para relaxamento das pessoas com relação às medidas de proteção (como uso de preservativo durante as relações sexuais ou o não compartilhamento de seringas injetáveis), porque mesmo com um tratamento adequado, os pacientes carregam um vírus que pode ser potencialmente fatal", alerta o infectologista.


No Same/Unaí, atualmente, são 164 homens e 68 mulheres em tratamento contínuo de HIV. São números de Unaí e mais 11 municípios da microrregião de saúde. Porém, como em todo o Brasil, os números não representam exatamente a realidade da região.

 

Há pessoas infectadas transmitindo o vírus para outras em relações sexuais desprotegidas ou em comportamentos de risco. A maior parte nem sabe que carrega o vírus e continua passando para frente. Somente a realização de testes pode apontar indicadores reais de contaminação. Em 2020, o Same computou mais 23 casos positivos de HIV até novembro. 

 

TESTES

 

Quanto mais rapidamente o paciente souber que carrega o vírus, mais rapidamente pode iniciar o tratamento no Same e controlar sua carga viral. Por isso, a importância do teste rápido, com resultado em 15 minutos. Para quem tem cobertura de PSF, agendar na própria unidade. Na zona rural, quem tem cobertura de Pacs (Programa de Agentes Comunitários de Saúde) pode fazer o teste em sua unidade de referência.

 

Para quem não possui cobertura de PSF (na cidade) ou de Pacs (na zona rural), o teste deve ser feito no Same (avenida Governador Valadares, 2.356, bairro Divineia). O agendamento pode ser feito pessoalmente no local, ou por telefone (3677-5056), de segunda a sexta, das 7h às 11h e das 13h às 17h.

 

Além dos testes para detecção de HIV, o Same faz testes rápidos para detectar sífilis, hepatites B e C. O Same é também unidade de referência para o atendimento de homens com queixas ou sintomas de doenças sexualmente-transmissíveis.


Mulheres com queixas ou sintomas ginecológicos passam inicialmente pelo PSF de referência ou pela unidade de Planejamento Familiar. Casos mais complexos, porém, podem ser encaminhados para o Same.

 

HPV TEM VACINA

 

O Papiloma Vírus Humano é uma infecção sexualmente-transmissível das mais comuns. É transmitida por contato sexual. O HPV é muito prevalente em Unaí. O vírus pode causar uma verruga nos órgãos genitais. No órgão masculino, é mais fácil identificar (porque visível) e cauterizar. A cauterização pode ser feita no próprio Same. Na mulher, só um exame ginecológico identifica a verruga.

 

Em alguns casos, dependendo do tempo de infecção, a mulher pode desenvolver câncer do colo do útero. Além de relações sexuais protegidas (com uso de preservativo), o HPV também pode ser prevenido por meio de vacina.

 

A vacina deve ser tomada bem antes de o homem ou a mulher iniciarem a vida sexual: meninas devem tomar a vacina entre 9 e 14 anos. E meninos, entre 11 e 14. O imunizante é encontrado na rede pública de saúde.

 

O médico do Same diz não entender exatamente o motivo que leva as famílias a negligenciar uma medida preventiva tão importante. Ele, porém, aventa duas hipóteses para a negligência: ou as pessoas desconhecem a disponibilidade da vacina na rede pública de saúde ou deixam de vacinar os filhos, com base em crenças e preconceitos descabidos.

 

"Já houve caso de Unaí perder vacinas, porque não houve procura na rede pública", conta o infectologista, acrescentando ser esta uma vacina segura, que passou por testes, foi aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e distribuída pelo Ministério da Saúde.

 

"Essa vacina pode evitar que uma menina de 9 anos possa, no futuro, desenvolver um câncer de colo de útero", alerta o médico.

 

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O Same fica na avenida Governador Valadares, 2.356 - Divineia

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