Fiscais Covid receberam quase cem denúncias no fim de semana; chácaras e distribuidoras de bebidas lideram lista

A noite/madrugada de sábado (24/4) foi a mais problemática em Unaí nesse fim de semana: foram 55 denúncias de aglomerações em festas clandestinas, alguns bares e, principalmente, em distribuidoras de bebidas. Somando sexta e domingo, foram quase 100 denúncias atendidas pela fiscalização, muitas com apoio de policiais militares.


As aglomerações também foram denunciadas em espaços públicos, como as áreas de lazer do loteamento Curva do Rio, da Praça da AABB e em campos de futebol. Durante todo o fim de semana, fiscais e policiais saíram às ruas para cobrar respeito às medidas dos decretos editados contra a covid-19 e aplicaram multas, principalmente em distribuidoras de bebidas e festas em chácaras. A maior parte dos flagrados em aglomerações são jovens com até 25 anos de idade.

 

Para a fiscalização, esses jovens não temem as consequências da covid-19 por terem certeza de sua imunidade à doença. Quando infectados (muitos assintomáticos), no entanto, podem transmitir o coronavírus para pai, mãe, tios, avós, primos, amigos, colegas de trabalho ou para muitos dos que ocupam, ou ocuparão, leitos de covid nos hospitais.

 

Na sexta-feira (23/4), Unaí registrava 45 novos casos de pessoas infectadas e 164 óbitos (totais até então) por covid-19. Dos 15 leitos de UTI disponíveis, 14 estavam ocupados.

 

PERTURBAÇÃO DE SOSSEGO É CASO DE POLÍCIA

 

A fiscalização, que tem trabalhado exaustivamente na cobrança de medidas para conter a disseminação do coronavírus, tem sido muito acionada pela população, inclusive para o atendimento a situações que caberiam à Polícia Militar averiguar.


Ocorrência de som alto em casas vizinhas, na maior parte dos casos, é situação de perturbação do sossego. Volta e meia, os fiscais covid são acionados, indevidamente, para atender a chamados do tipo. E, muitas vezes, são atendimentos efetuados em pontas diferentes da cidade, que atrasam as solicitações que realmente procedem.

 

Das 95 reclamações que receberam pelo WhatssApp do Disque Denúncia Aglomeração de sexta a domingo, apenas 50 foram procedentes, ou seja, tiveram a ver com problemas de violação dos dispositivos para proteger a população contra a covid-19, mais propriamente situações que envolviam aglomeração sem distanciamento de segurança, não uso de máscara, consumo de bebida alcoólica no local e não higienização das mãos.

 

Algumas ocorrências "improcedentes" diziam respeito a som alto sendo executado em casa, na presença de poucas pessoas, por exemplo. Outras, eram reuniões familiares. Na maior parte das denúncias (procedentes ou não), os denunciantes estavam "agressivos" e xingavam muito os fiscais.

 

Os fiscais afirmam que nunca trabalharam tanto. Muitos deles têm trabalhado 16 horas por dia e ainda assim são xingados e desconsiderados por parte da população, que não quer entender o trabalho deles e as dificuldades do momento de crise sanitária por que passa Unaí, e o mundo, em face da pandemia.

 

Todas as mensagens que chegam pelo Disque Denúncia (zap) são atendidas pela fiscalização, desde que encaminhadas para o canal oficial de WhatssApp.Segundo os fiscais, as equipes não têm tempo e nem podem ficar vasculhando canais de denúncia não oficiais, para justificar o encaminhamento da fiscalização.

 

Um mototaxista teria denunciado num canal não oficial da cidade que estaria levando pessoas para uma festa clandestina numa chácara. E cobrou ação da fiscalização.
"Não tivemos acesso a essa ocorrência feita em canal de denúncia não oficial. O nosso canal é o número do zap 9.9807-5543. Quando recebemos a mensagem por aqui, todos as denúncias são atendidas", explica a fiscal responsável por monitorar o canal oficial de denúncias da fiscalização. O número é exclusivo para recebimento de mensagens. Ligações telefônicas estão bloqueadas.

 

FISCAIS 24 HORAS NOS FINS DE SEMANA

 

Duas equipes de fiscais estão escaladas, a partir da próxima sexta (30/4), para combater as aglomerações em chácaras nos fins de semana, especialmente aos sábados. E outras duas, para atender a cidade, principalmente as aglomerações em bares e distribuidoras de bebidas. O trabalho noturno se estenderá madrugada adentro.

 

Particularmente, as festas clandestinas em chácaras já estão no radar da fiscalização e da Polícia Militar. Já se sabe, por exemplo, que um mesmo "organizador" de festas está usando chácaras diferentes, a cada sábado, para tentar despistar a fiscalização.

 

Esse "organizador", segundo se sabe, já é conhecido pela fiscalização, pela Polícia Militar e pela Promotoria Pública. Ele estourou o limite de multas recebidas. Já teria, inclusive, processo aberto em seu desfavor. Mas insiste em continuar burlando as disposições dos decretos que protegem a população contra a covid.

 

O comércio em geral, bancos, lotéricas, supermercados, que no início da pandemia eram foco de preocupação das autoridades sanitárias, hoje estão bem ajustados às medidas de proteção e de adequação aos dispositivos estabelecidos de contenção do vírus.

 

O mesmo, porém, não se pode dizer em relação às aglomerações em distribuidoras de bebidas e bares com sinuca e carteado, segundo os fiscais. Juntamente com as chácaras, são os que mais preocupam a fiscalização. Também estão na mira os espaços abertos (playground no Curva do Rio, praça da AABB, campos de futebol), onde há aglomeração nos fins de semana.

 

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