Diretor do SAAE: “É cedo para falar em racionamento de água”

O rodízio no abastecimento de água e o racionamento representam um grave problema que vem preocupando autoridades e a população de várias localidades do Brasil. O problema chegou perto de Unaí. Brasília já vive esse dissabor. Em Unaí, a situação ainda está sob controle, mas com o passar do tempo, pode tornar-se uma dor de cabeça. Para o diretor-geral do SAAE, Geraldo Oliveira, a manutenção e o manejo do Rio Preto são fatores essenciais para manter cheios os reservatórios. O Rio Preto é o manancial de captação da água que é tratada e distribuída pelo SAAE para 90,5% da população unaiense. Outros 9,5% são abastecidos por água captada em poços artesianos.

A pouca chuva que caiu sobre a região em 2016 e 2017 é fonte permanente de preocupação das autoridades e técnicos. No período mais seco do ano passado, as balsas usadas no sistema de captação de água no Rio Preto tiveram sua base presa na lama, em razão do baixo nível da água na calha do rio. Era um sinal de alerta.

Para resolver o problema, dirigentes do SAAE tiveram de solicitar às pequenas hidrelétricas, construídas antes da área de captação (a montante), para abrir as comportas e liberar água das represas. Só assim a balsa pôde se soltar do barro em pleno Rio Preto.

Além da pouca chuva na região nos últimos dois anos, Geraldo Oliveira revelou preocupação especial com a produção agrícola à montante do Rio Preto. "A irrigação é muito intensa e isso contribui para reduzir a vazão da água do rio", alertou.

Os números indicam que 70% da água disponível são consumidos na atividade agropecuária, 22% na produção industrial e 8% no uso humano. Somando-se a isso os 30% de desperdício de água no processo de distribuição (SAAE – domicílios, vazamento na rede, ligações clandestinas e manutenção/retrolavagem de filtros) e mais a falta de chuva, tem-se uma equação que pode resultar em problemas graves em futuro breve.

"É cedo para falar em racionamento, mas se continuar sem chuva, o sistema vai chegar no limite. Um consumo maior no período seco pode deixar as partes mais altas da cidade sem água em alguns períodos do dia", afirma o diretor do SAAE, para quem é urgente fazer investimentos no sistema do SAAE o quanto antes, para evitar desabastecimento.

Ele afirma que investimentos no sistema SAAE dependem de planejamentos e projetos viáveis e alerta que "se nada for feito com urgência, pode haver problemas no próximo período seco".

Segundo o diretor, o sistema está defasado e a Estação de Tratamento de Água bastante depreciada. No entanto, ele informou que o SAAE já está providenciando a contratação de empresa que fará a reforma da ETA e trabalhará na modernização do sistema de abastecimento de água. Com isso, a expectativa é aumentar de 30% a 40% a capacidade do sistema.

Enquanto buscam garantir a expansão e modernização do sistema, dirigentes do SAAE estarão na torcida para chover a montante do Rio Preto. "Vamos procurar fazer nossa parte, modernizando o sistema. Agora, é preciso que a população esteja alerta todos os dias do ano, para ajudar na preservação do Rio Preto e na economia de água que chega aos domicílios", arrematou Oliveira, sentenciando no final: "Não podemos desperdiçar água".


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Reforma e modernização da Estação de Tratamento de Água é uma das prioridades da nova
diretoria do SAAE para dar mais sustentabilidade ao sistema



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Diretor-Geral do SAAE, Geraldo Oliveira, discursa durante evento do Dia Mundial da Água,
ao lado do prefeito Branquinho