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Como Nasceu Unaí

Nasceu como nasceram todos os povoados do século passado. Nasceu pela força dos valentes pioneiros, cresceu pelos impulsos dos batalhadores do presente. Nasceu fortalecida pelas lideranças e ideais concretizados em páginas inesquecíveis, no refluir de mil lembranças. Sobre o presente pairam as saudades do tempo extinto.

Capim Branco, uma fazenda que contribuiu  para a formação de uma comunidade, hoje, em pleno desenvolvimento, considerada celeiro de Brasília. Um povo alegre e hospitaleiro, consciente das suas responsabilidades. Um punhado de sonhos mortos... distantes reminiscências. Um eclodir de realidades positivas no presente. Uma esperança a florir no futuro. Houve um tempo em que somente o silêncio comandava essas vastidões de opulentas terras. Houve um tempo em que somente ausências perdidas guardaram em seu seio nostalgias irreversíveis. Nesse grande pedaço de terra, homens corajosos iniciaram o comércio ao longo do porto do Distrito do Rio Preto.

Ali mesmo, estava a sinuosa estrada carreira que ia dar à cidade de Paracatu. Picadas abertas entre as fechadas brenhas, levavam peregrinos a outros lugares. Porto do Rio Preto, distrito do Rio Preto, Arraial, Vila do Capim Branco, nomes que o antigo povoado recebeu. UNAÍ, grandes planícies, vastas terras cultivadas, enriquecendo e embelezando a região... recanto abençoado por Deus. Deveria ser uma delícia, aquela quietude quebrada apenas pelos ruídos da mata virgem e pelo canto dolente dos primeiros canoeiros. Desde 1.650, já havia transitado por essa região(segundo alguns historiadores), muitos aventureiros que andavam vasculhando o ouro e outras preciosidades. Desde os mais remotos tempos, eram os índios, os senhores absolutos dos matos e das águas dessas paragens.

Muitas tribos permaneceram por anos e anos. Outras de rápida passagem, tomaram diversos rumos além. Domingos Pinto Brochado aqui chegou com o seu pessoal no século XIX. Adquiriu terras, formando uma fazenda que recebeu o nome de Capim Branco. Em torno dela, começaram a surgir algumas casinholas, construídas por pessoas que, aos poucos e timidamente, foram se aproximando. Foi ele o responsável pela formação do povoado, em colaboração com as primeiras famílias: Souto, Rodrigues Barbosa, Padre Antão José da Rocha, Couto, Martins Ferreira, dentre outras. Nasceram pequeninas ruas. Brotaram mais casas. Retalharam a terra para a formação de novas fazendas. Formou-se o arraial de costumes simples, onde todos eram unidos e se queriam de verdade.

Hoje, dentro de cada um de nós, apenas fragmentos de saudades daquele viver despreocupado e feliz. Naquele tempo, o ar estava sempre cheirando a flores de murta, de cajueiro ou de mangueira. Havia um terreno que levava ao caminho do ribeirão do Santa Rita. As velhas e copadas árvores eram um chamarisco para a meninada, constituindo também um repousante lugar de  passeios para os adultos. Vejo-me entre aqueles renques de altiva árvore cujos galhos se projetavam para o infinito... Quantas vezes, sentada à sombra de muitas delas, ouvia , encantada, durante horas e horas, as estórias do antigo Capim branco, contadas pela saudosa Siá Ursulina. Sombreados levavam-me às choupanas dos meus humildes amigos Joaquim “Pé Grande”, Siá Joana Figueiredo e tantos outros que já se foram. Nada mais resta. Tombaram as árvores em holocausto ao deus do progresso. Nas poucas e pequeninas casas em ruínas, alojaram fugidias lembranças.

Tudo foi se modificando, ao embalo da evolução. De seqüência em seqüência, as inovações foram tomando vulto, as moradias outro aspecto. O tempo passou e Unaí finalmente vestiu as roupagens de cidade. Quem passa agora pela Avenida Governador Valadares está indo ao encontro do progresso, com os seus mil ruídos e o seu intenso movimento. A Rua Juvêncio Correio é um dos últimos redutos do alegre e antigo povoado. Morreram as cercas vivas que coloriam os quintais separando uns dos outros. A poesia do passado tornou-se uma nova realidade. O panorama do município cresce, transforma-se e evolui em ritmo acelerado. É o trabalho do homem mudando as coisas, edificando. A sede, com suas construções é uma variação de cenários bonitos, ruas se agigantando em todas as direções. Menina moça que veste roupa nova todos os dias e tem consciência do seu poder nos horizontes do futuro. A semente outrora lançada em sues solo pelos pioneiros cresceu em participações, frutificou em integração. Unaí tem , sim senhor, a sua história bonita pra contar. E contada por quem a ama como eu, torna-se uma poesia, saída do coração, cheia de saudades, onde as pessoas se misturam aos fatos, onde os fatos se misturam aos lugares, onde os lugares estão misturados em minha própria vida.

Fonte: Maria Torres Gonçalves - "Hunay de Hontem, Unaí de Hoje"  - 1990 / Editora Arte Quintal

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